Ataques de ransomware a empresas brasileiras estão em alta: o que os dados de 2026 revelam e como se proteger
O Brasil registrou em fevereiro de 2026 uma média de 3.736 ataques cibernéticos por semana por organização, crescimento de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ransomware está no centro desse avanço. E o problema não está diminuindo.
Se a sua empresa ainda trata segurança cibernética como um custo secundário ou como assunto exclusivo de grandes corporações, os dados deste ano mostram que essa percepção representa um risco concreto para a continuidade do negócio.
Neste artigo você vai entender o que está por trás do crescimento dos ataques de ransomware no Brasil, quais setores e perfis de empresa estão sendo mais afetados, o que os criminosos exploram como porta de entrada e o que é possível fazer para reduzir a exposição da sua operação.
Indice
- O que é ransomware e por que ele é diferente doe outros ataques
- Os números de 2026: o Brasil no mapa global de ransomware
- Por onde o ataque entra: os vetores mais comuns no Brasil
- Ransomware-as-a-Service: por que qualquer empresa virou alvo
- Por que pagar o resgate virou um problema maior do que parece
- O que os setores mais afetados têm em comum
- O que reduz o risco de forma concreta
- Segurança não começa pela ferramenta
O que é ransomware e por que ele é diferente de outros ataques
Ransomware é um tipo de malware que bloqueia o acesso aos dados e sistemas de uma organização e exige pagamento, em geral em criptomoeda, para restaurar esse acesso. A diferença em relação a outros ataques cibernéticos está na combinação de impacto imediato e pressão financeira direta.
Quando um ataque de ransomware é bem-sucedido, a operação para. Arquivos ficam inacessíveis, sistemas internos são bloqueados, e a empresa fica paralisada até que o resgate seja pago ou que a recuperação seja feita por meios alternativos. Em muitos casos, esse processo leva dias ou semanas.
O custo médio de um incidente de ransomware para uma empresa de médio porte no Brasil pode ultrapassar R$ 1,4 milhão em perdas diretas e indiretas, considerando paralisação operacional, recuperação de dados, custos legais e impacto de imagem. E pagar o resgate não garante solução: empresas que pagaram voltaram a ser alvo de novos ataques em percentual relevante dos casos documentados.
Os números de 2026: o Brasil no mapa global do ransomware

Os dados divulgados pela Check Point Research em 2026 colocam o Brasil entre os países com maior crescimento de exposição a ataques cibernéticos. Em fevereiro, organizações brasileiras sofreram em média 3.736 ataques cibernéticos semanais por organização, representando um aumento de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em março de 2026, o Brasil apareceu entre os mercados mais impactados por ransomware globalmente, respondendo por 1,8% dos ataques reportados. O setor de serviços empresariais foi o mais afetado no mundo, concentrando 35% dos incidentes de ransomware.
No primeiro semestre de 2025, os ataques de ransomware no Brasil aumentaram 25%, com mais de 3,6 mil incidentes registrados no período, segundo a SonicWall. Um estudo da Sophos indica que 73% das empresas brasileiras afirmaram ter sido vítimas desse tipo de ataque.
E há um dado estrutural que explica boa parte dessa vulnerabilidade: 98% das contas em nuvem de empresas brasileiras operam sem autenticação multifator (MFA) e 91% com privilégios excessivos. Os prejuízos anuais relacionados a falhas de segurança digital no país são estimados em mais de R$ 126 bilhões.
Esses números não descrevem um problema futuro. Descrevem o cenário atual.
Por onde o ataque entra: os vetores mais comuns no Brasil
Entender por onde os ataques de ransomware começam é o primeiro passo para fechar as portas mais exploradas. Os vetores de entrada mais recorrentes no contexto brasileiro seguem um padrão identificado por pesquisadores de segurança ao longo dos últimos dois anos.
Credenciais comprometidas
Muitos hackers estão usando, cada vez mais, credenciais roubadas para a realização de ataques. Isso fez com que a barreira de entrada diminuísse, pois se antes os criminosos precisavam ter muito conhecimento técnico, agora eles simplesmente testam credenciais vazadas até encontrar uma que funcione.
Com a quantidade de dados expostos em vazamentos anteriores, credenciais válidas de colaboradores de empresas brasileiras circulam em mercados clandestinos. Quando não há autenticação adicional, uma senha comprometida é suficiente para dar ao atacante acesso ao ambiente.
E-mail com phishing e engenharia social
O phishing continua sendo uma das principais portas de entrada. Uma mensagem bem construída, com linguagem corporativa adequada e aparência de comunicação legítima, induz o colaborador a clicar em um link ou abrir um arquivo que instala o malware.
Como phishing inicial leva a credenciais comprometidas, que permitem movimento lateral dentro do ambiente, que resultam em ransomware devastador. O tempo entre o comprometimento inicial e a implantação do ransomware reduziu significativamente, com criminosos acelerando as operações.
Sistemas e softwares desatualizados
Vulnerabilidades em sistemas operacionais e softwares sem atualização são exploradas de forma ativa. Patches de segurança existem para corrigir essas falhas conhecidas, mas empresas sem gestão centralizada de atualizações mantêm janelas abertas por semanas ou meses.
Acesso remoto sem proteção adequada
Após a ampliação do trabalho remoto, muitas empresas expuseram serviços de acesso remoto sem as camadas de proteção necessárias. Protocolos como RDP (Remote Desktop Protocol) mal configurados são alvos frequentes de ataques automatizados.
Ransomware-as-a-Service: por que qualquer empresa virou alvo
Um fator que explica o crescimento acelerado dos ataques é a profissionalização do crime cibernético. O ecossistema de ataques está operando como um negócio. Os cibercriminosos operam dentro de áreas específicas como distribuição, gerenciamento de plataforma e desenvolvimento, com suporte que entra em contato com as vítimas infectadas.
Esse modelo, chamado de Ransomware-as-a-Service (RaaS), permite que pessoas sem conhecimento técnico avançado contratem a infraestrutura de ataque de grupos especializados e executem campanhas com eficiência industrial. O resultado é um volume maior de ataques com menor custo de operação para os criminosos.
48% das organizações considera que as cadeias de ataque automatizadas por IA representam o maior risco de ransomware. O phishing representa 16% dos vetores de ataques iniciais, seguido pelo comprometimento da cadeia de fornecedores e terceiros, com 15%.
Isso significa que o critério de seleção de vítimas não é mais apenas o porte da empresa. A seleção é feita por vulnerabilidade. Quem está mais exposto é quem aparece nas varreduras automatizadas como alvo viável.
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Por que pagar o resgate virou um problema maior do que parece
Durante muito tempo, empresas atingidas por ransomware avaliavam o pagamento do resgate como uma saída rápida para retomar a operação. Esse raciocínio está sendo reexaminado por razões jurídicas e práticas.
A decisão de pagar o resgate deixou de ser uma questão técnica para se tornar um dilema de governança. Além de não garantir a devolução dos dados, essa prática pode expor a empresa a sanções legais severas e alimentar a economia do crime. O foco deve ser a imunidade digital: priorizar estratégias de disaster recovery e continuidade operacional que eliminem a necessidade de negociação com criminosos.
Em jurisdições onde grupos de ransomware estão classificados como organizações sancionadas, o pagamento pode ser interpretado como violação de normas de compliance e combate à lavagem de dinheiro. O risco jurídico é real e crescente.
Além disso, dados históricos mostram que empresas que pagaram o resgate voltaram a ser alvo em um percentual expressivo dos casos. O pagamento sinaliza ao grupo criminoso que a vítima tem capacidade e disposição para pagar.
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O que os setores mais afetados têm em comum
O setor de serviços empresariais foi o mais impactado, seguido por bens e serviços de consumo e manufatura industrial. Essas são áreas nas quais a interrupção operacional oferece maior poder de pressão para extorsão.
A lógica é clara: quanto mais dependente a empresa é de sistemas para operar, maior o impacto imediato de um bloqueio e maior a pressão para pagar rapidamente. Isso coloca setores como logística, saúde, financeiro e serviços em posição de exposição elevada.
Mas o padrão também atinge empresas menores. Em termos de ransomware, as empresas de pequeno e médio porte são as mais visadas, pois algumas possuem recursos para efetuar pagamentos enquanto carecem das equipes de segurança robustas presentes em grandes organizações.
O que reduz o risco de forma concreta

Nenhuma medida isolada elimina o risco de um ataque de ransomware. O que muda o cenário é a combinação de controles aplicados de forma consistente.
Autenticação multifator em todos os acessos críticos
MFA ativo em e-mail corporativo, sistemas internos e acesso remoto é o controle com maior retorno em relação ao esforço de implementação. Com 98% das contas em nuvem brasileiras sem MFA, a maioria das empresas ainda não fez o básico.
Backup testado e verificado regularmente
Ter backup é diferente de ter backup que funciona quando necessário. A recuperação de dados em um cenário de ataque depende de cópias íntegras, isoladas da rede principal e testadas periodicamente.
Gestão de acessos com privilégio mínimo
Cada colaborador deve ter acesso apenas ao que é necessário para sua função. Privilégios excessivos ampliam o alcance de um ataque quando uma credencial é comprometida.
Atualização contínua de sistemas e endpoints
Patches de segurança fecham vulnerabilidades conhecidas. A gestão centralizada de atualizações garante que nenhum dispositivo fique desprotegido por tempo prolongado.
Monitoramento e detecção em tempo real
Identificar comportamentos anômalos antes que o ransomware seja ativado exige visibilidade sobre o que acontece no ambiente. Ferramentas de EDR (Endpoint Detection and Response) operam por comportamento, não apenas por assinaturas conhecidas, o que amplia a capacidade de detecção de ameaças novas.
Conscientização de equipes
Os treinamentos de conscientização em segurança são muito impactantes, pois os funcionários precisam ser treinados para identificar ataques de engenharia social como phishing. O ponto mais frágil não é o sistema em si, mas sim o ser humano.
Leia também: 20 termos de cibersegurança que você precisa conhecer.
Segurança não começa pela ferramenta
Os dados de 2026 confirmam o que especialistas em cibersegurança repetem há anos: o problema raramente está na ausência de tecnologia. Está na ausência de estratégia.
Empresas que compram soluções sem diagnóstico do ambiente, sem definição clara de quais riscos precisam ser tratados primeiro e sem processo de monitoramento contínuo não estão mais protegidas. Estão com a sensação de que estão.
O primeiro passo não é escolher uma ferramenta. É entender onde a empresa está exposta. A partir dessa clareza, as decisões de investimento em segurança fazem sentido e geram resultado real.
A Avant acompanha empresas nesse processo, do diagnóstico ao acompanhamento contínuo. Não como fornecedor de produto, mas como parceiro que entende o ambiente de cada cliente e apoia a construção de uma postura de segurança que sustenta o crescimento do negócio ao longo do tempo.
Em um cenário onde o ransomware opera como negócio, proteção de verdade também precisa ser estratégia, não improviso. Quer saber mais, conheça as formas da avant de trabalhar!
